Resenha: Encanto mortal

Título: Encanto mortal
Autora: Sarah Cross
Sinopse:
O passado de Mirabelle está envolto em segredos, da morte trágica de seus pais às meias verdades de suas madrinhas sobre por que ela não pode voltar à sua cidade natal, Beau Rivage. Desesperada para conhecer melhor o local, Mira foge uma semana antes de completar dezesseis anos – e descobre um mundo que nunca poderia ter imaginado. Em Beau Rivage, nada é o que parece – nem mesmo a garota estranhamente pálida com um interesse mórbido em maçãs, o detestável playboy que age como uma fera com todos ao seu redor e o garoto gentil que tem um fraco por donzelas em perigo. Ali, histórias antigas são reencenadas, maldições são despertadas e contos de fadas se tornam reais. Mas todo mundo sabe que fábulas nem sempre terminam com ‘felizes para sempre’. Mira tem um papel a desempenhar, um destino a aceitar ou ao qual resistir. Enquanto se esforça para assumir o controle de sua vida, ela se sente atraída por dois garotos com suas próprias maldições… irmãos que compartilham um terrível segredo. E ela vai descobrir que o amor – assim como os contos de fadas – nem sempre acaba bem.
Oi gente, tudo bem com vocês?
Estou trazendo hoje mais uma resenha da plataforma antiga para cá e como já havia dito semana passada, ao menos as minhas resenhas estarão migradas até o fim do mês.

Bem, vamos lá…

Contos de fadas e mitologia são temas que me atraem bastante, então topei de cara ler esse livro quando me indicaram.
Ele nos é apresentado numa pegada de Irmãos Grimm misturado com o seriado Once Upon a Time, sendo um “conto de fadas modernizado”, com uma narrativa leve e gostosa de acompanhar e sua história é repleta de mistérios e tem um toque sombrio bem sutil.

A obra conta a história de Mira, uma garota que mora com suas madrinhas desde pequena porque seus pais morreram num trágico acidente em seu batizado. Ela tem muita vontade de voltar à sua cidade natal, Beau Rivage, para visitar o túmulo dos pais e conhecer a cidade, mas suas madrinhas não deixam e sempre inventam alguma desculpa como justificativa… Cansada disso, Mira resolve fugir de casa às vésperas de seu aniversário de 16 anos para ir até lá.

Chegando lá ela conhece Blue, um garoto completamente mal educado, e seu irmão Felix que, ao contrário de Blue, é o cara mais educado que eu já vi na vida – um verdadeiro gentleman rsrs –.  Felix oferece a ela todo o apoio que ela precisa, enquanto Blue tenta afastá-la de lá a todo custo… Irritada com a atitude de Blue e sem compreender a razão de ser tão mal tratada, ela “aposta todas as suas fichas” em Felix e aceita toda a sua ajuda e cavalheirismo de bom grato.

Até aí parece só mais uma história com mais um triângulo amoroso clichê, certo? Pois bem, não é bem assim… O “cara perfeito” vs. “um babaca mal educado”, quem vocês escolheriam? (Respondam nos comentários.) :D

O que Mira não sabia era que nessa cidade coisas estranhas acontecem e com o tempo ela começa a questionar a própria sanidade durante seu envolvimento com Blue, que tentava de todas as formas possíveis afastá-la de Felix dizendo que ele fará mal a ela, quando o grosseiro da história é ele, rs.
A razão desses acontecimentos estranhos é que a magia está presente na cidade, de uma maneira quase imperceptível, mas forte o bastante para selar o destino das pessoas… As pessoas “marcadas” nessa cidade passam a viver o papel de algum personagem de contos de fadas e com muita relutância Mira compreende que também faz parte de um dos contos e começa a entender o motivo de suas madrinhas quererem ela longe de Beau Rivage e tantas atitudes “controladoras” e exageradas vindas por parte delas. E a partir daí Mira entra numa aventura junto com seus novos amigos para lutar contra o seu destino e tentar mudá-lo.

O que eu achei bacana na trama é que ela não aceitou tudo logo de cara: “Oi, você faz parte de um conto de fadas” e “Ah, tá bom… Obrigada por me contar”. Porque dado o histórico de inconsequência e irresponsabilidade da personagem, era de se esperar que ela aceitasse tudo com uma naturalidade absurda, mas ao contrário, ela questionou e buscou provas de que aqueles acontecimentos eram reais… Ponto positivo muito grande para a autora por isso, pois eu me decepcionaria se ela seguisse por um caminho de que a magia e acontecimentos surreais são coisas naturais para a mente humana.

Só quando tinha saído do hotel para a intensa e quente luz do dia foi que Mira se lembrou das flores salpicadas de sangue no guardanapo de Jewel, tão pouco naturais e fantásticas quanto o próprio Dream. Mesmo algo tão absurdo quanto aquilo devia ter uma explicação.
Quando as palavras de Felix lhe voltaram à mente, ela sentiu um aperto na garganta.
Eu não acredito em coincidências.
Talvez as maldições em torno das quais giravam as brincadeiras de Blue e seus amigos, e das quais eles não paravam de falar, fossem reais.
(…)
O que exatamente estava acontecendo ali? E quanto daquilo tinha a ver com ela — se é que havia alguma coisa?

Não vou revelar a qual conto a vida de Mira está amarrada porque os sinais do livro mostrarão isso. Alguns são bem nítidos, mas descobrir isso durante a leitura e interligando os fatos traz um “que” especial a mais.

A perspectiva de que a magia nem sempre é algo bom que a autora trouxe neste livro foi algo bem interessante, pois mostra que nem sempre ser uma princesa/príncipe e viver um conto de fadas com um destino determinado é algo bom, principalmente para pessoas que tem outros sonhos e vontades alheios a isso e que querem escrever sua própria história.

O “relacionamento” que Mira tem com o Blue ao longo da trama me cativou bastante também, se é que dá pra chamar diálogos à base de patadas de relacionamento, rsrs.
Eu me diverti imensamente com as discussões deles.

Blue a olhou com um ar de perplexidade que logo deu lugar a fria indiferença.
— Você está viva — disse ele.
— Geralmente estou.
Freddie se pôs de pé de um modo quase cortês.
— Mira, que maravilha! Adoraríamos que você passasse o dia com a gente. Hum, por vontade própria, dessa vez.
— Uau, obrigada. Posso?
— É, passe o dia com a gente — disse Blue. — Assim é mais um dia de vida garantido.
Freddie franziu a testa.
— Blue, não faça isso.
— Não se preocupe, estou acostumada — disse Mira.

O parágrafo abaixo da resenha contém spoilers e se trata de um desabafo meu com uma consideração muito importante, caso deseje ler, clique no botão abaixo que as palavras aparecerão. (Estou aprendendo magia também, rsrs)

Caixinha de spoiler/desabafo:

O que eu vi bastante em comentários e resenhas por aí e não concordo é a tratativa de vilão que paira sobre o Felix.
Ok, sua marca de personagem é a de um, mas eu não o considero um vilão porque, no decorrer da leitura, ele passa uma motivação de que espera que as coisas sejam diferentes e está sempre em busca de novas tentativas de ter um futuro certo e bom. A diferença entre ele e Blue está no fato de que Blue não aceita de forma alguma o seu destino e camuflou a sua vida para evitar que tragédias ocorram, já Felix optou por viver a vida aceitando seu destino e deixando que as tragédias aconteçam se tiverem que acontecer. Será que ele pode ser chamado de vilão por aceitar um destino que foi imposto sobre a sua vida contra a sua vontade?
Eu sou uma pessoa inocente e otimista e talvez isso tenha influenciado a minha visão sobre ele, mas eu enxergo que o mal ali foi induzido e não que ele tenha nascido ruim. Então, a meu ver ele é apenas alguém incompreendido, já que apesar de aceitar o mau presente na sua rotina ele tinha vontade de encontrar alguém que mudasse sua história.

— Eu não sabia que você gostava de mim assim — disse ele, sua voz soando baixa e íntima no escuro. — Estou meio que feliz com isso.
— Mesmo?
Felix riu. — Por que não estaria?
— Não sei. Ninguém nunca… gostou de mim dessa forma.
— Ou os caras que cresceram com você são cegos — disse ele —, ou suas madrinhas são carcereiras. Tudo bem: vou contar porque gostei de você. — Ele aproximou a cabeça da dela. — Você é corajosa, Mira. É bonita. E esperançosa, coisa que eu não sou. Você me faz sentir que as coisas podem ser diferentes…

Comentem com o que acham a respeito do que eu disse se já leram ou se não leram mas pensam de um modo menos otimista e humanitário que eu. :)


Esse livro ganhou um lugarzinho especial na minha estante e no meu coração, porque a sua trama é bem envolvente, foi uma releitura bem escrita e, além disso, algumas vezes eu opto por ler livros enquanto escuto música – Garotos, sinto muito, mas mulher é multi tarefa rsrs :* – e enquanto eu lia algumas partes do clímax da história estava tocando Wreking Ball, da Miley Cyrus, e a letra tem muuuuuito a ver com o contexto, então, toda vez que eu a escuto acabo me lembrando do livro e é algo que vai demorar um tempo para sair da minha mente e isso é muito bom, porque é um livro que vale a pena ser lido.

Nota:



O livro só não tem uma nota mais alta por três coisas:
  • Ao que parece a série de livros “Beau Rivage” tem como ideia fazer uma releitura de cada conto por livro, sendo assim, o conto de Mira tratado em Encanto Mortal ficou algumas pontas soltas e situações mal resolvidas… O que não é bom para um livro único (que deveria ter um final lacrado).
  • A autora não desenvolveu muito a vida dos personagens secundários e eu adoraria conhecê-los melhor e conhecer suas respectivas histórias e maldições, senti como se a vida deles fosse uma mesmice que girava em torno da vida de Blue e Mira. (Coisa que pode ser resolvida ao criar livros com histórias para eles também).
  • A editora não optou por manter a capa original de “Kill me softly”. Essa capa nacional é bem bonita, mas ela não tem todo o teor e mensagem que a capa original tem.

AAAAAAAH! HÁ ALGO MUITO IMPORTANTE A SER MENCIONADO!

Estava navegando no site da autora e vi que ela lançou mais livros para a série! (Para nooooossa alegriaaaa! ).
Bem, não é exatamente uma continuação de Encanto Mortal… Ao que parece, esse novo livro chamado “Tear You Apart”, lançado no início de 2015, vai contar a história da Viv, o que me dá a entender que a série de livros “Beau Rivage” será focada em criar releituras aos contos existentes de cada personagem… E isso praticamente elimina o meu 2º motivo de não ter gostado tanto, além de nos deixar feliz por saber que ela ouviu seus leitores que simplesmente queriam mais! :)
Espero que o livro também mostre um pouco do futuro de Mira e que não demore a sair no Brasil junto com as histórias curtas lançadas na série (After The Ball e Twin Roses), se não vou ler todos em inglês mesmo. 
Obs.: Estamos em 2017 agora e não foi lançado nada oficialmente ainda #chateada, então vou acrescentar esses livros na minha listinha de alguma forma e trago para vocês quando for possível (porque a lista é grande, hehe).

Bem, é isso pessoal… Espero que tenham gostado da resenha e criado interesse pelo livro e que, assim como eu, tenham adorado a novidade sobre haver mais livros!
Não deixem de comentar, ok?!

O post original desta resenha foi feito em 31/07/2015 e você pode conferi-lo aqui.

Beijos!

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