Resenha: O herói improvável da sala 13B

o-heroi-improvavel-da-sala-13b-capaTítulo: O herói improvável da sala 13B
Autora: Teresa Toten
Sinopse:
Um livro repleto de momentos de profunda emoção e outros de inesperado humor, que explora as complexidades de viver com TOC e oferece perspectivas de esperança, felicidade e cura.
Adam Spencer Ross, 14 anos, precisa lidar todos os dias com os problemas que resultam do divórcio dos pais e das necessidades de um meio-irmão amoroso, mas totalmente carente. Acrescente os desafios de seu TOC e é praticamente impossível imaginar que um dia ele se apaixonará. Mas, quando conhece Robyn Plummer no Grupo de Apoio a Jovens com TOC, ele fica perdida e desesperadamente atraído por ela.
Robyn tem uma voz hipnótica, olhos azuis da cor do céu revolto e uma beleza estonteante que faz o corpo de Adam doer. Adam está determinado a ser o Batman para sua Robyn, mas será possível ter uma relação “normal” quando sua vida está longe de ser isso?
Oi gente, tudo bem? Eu estou bem também!
Antes de mais nada tenho que fazer uma confissão: não esperava que esse livro fosse tão cativante! Uma coisa é a sinopse te envolver e outra coisa é o conteúdo inteiro te impressionar.

Você pode perguntar: mas tem bastante louco nesse livro? E onde é que não tem?! Não poderíamos esperar menos de um livro sobre o assunto, mas esse livro não fala da doença em si, e sim como as pessoas que a tem lidam com isso no seu dia-a-dia.

Fica bem claro durante a leitura o quanto é difícil para Adam viver no meio de pessoas “normais”, ou se comportar na frente delas, ou até mesmo expor seus pensamentos. Não é fácil também como lidar com o primeiro amor arrebatador que ele descobre sentir assim que coloca os olhos em Robyn. Assim como não é fácil para nenhum de nós. Mas para Adam é tudo potencializado.
Mas a consciência que Adam tem sobre a sua doença e sobre como os seus “rituais” podem afastar as pessoas é impressionante. Imagino que todos os que tem TOC nem sempre tenham essa noção do que é estranho ou exagerado, mas Adam tem e parece sofrer muito por isso. Ele se corrói quando isso toma conta dele. E ele sabe que precisa ficar bom para poder ficar com Robyn e cuidar dela.

Outro ponto interessante é a relação de Adam com a mãe. Nesse livro não tem ninguém normal, mas a mãe dá sinais o tempo todo de que alguma coisa não está certa, mas Adam não tem coragem suficiente de interferir. Até que fica perigoso.
Adam e Robyn começam uma relação muito bacana que acaba em romance. Mas é um romance especial, porque ambos sabem de seus problemas pessoais e como isso pode afetá-los. Inclusive, isso é tratado com muita emoção quando Adam percebe que precisa realmente fazer algo para ficar bom e proteger aqueles que ama.

Ah, o amor! O exagero dele também pode ser prejudicial. Docinho, o meio-irmão de Adam de cinco anos ama tanto Adam que o sufoca. Adam não tem coragem de afastar o irmão, que sofre absurdos com a ausência dele. Os diálogos entre eles são hilários e cheios de sentimentos sempre.
– Praticando o que falar para a minha mais bonita melhor garota quando eu me apaixonar – explicou Docinho. – A sua tem peitões grandes?
A descoberta de novas amizades também é bem explorada. Os companheiros de grupo de Adam acabam se tornando seus amigos, inclusive o mais difícil de lidar, apelidado de Thor. Preste atenção nesse cara enquanto estiver lendo esse livro. Fará toda a diferença!

O Thor levantou seu enorme braço musculoso, colocou-o sobre o ombro magro de Adam e olhou mais ou menos na sua direção.
- Estou cuidando de você.

Adam tem a “mania” de carregar o mundo nas costas e parte de seus rituais é para proteger aqueles que ele ama. Ele sente que se o ritual não for perfeito, ele pode colocar a vida de alguém em risco. Além disso, ele tem uma percepção extraordinária sobre como as pessoas estão se sentindo, e ele usa essa percepção para ajudá-las. Diante do grupo, ele acaba sendo um porto seguro para todos os outros justamente por se importar tanto com os demais. É bonito de ver, mas será que é o melhor para Adam?
- Às vezes é necessário magoar aqueles que você ama. Pode checar isso com seu médico sofisticado, ou aonde quer que você vá toda segunda-feira. – Ela bateu de leve em sua mão. – Desapegar, Adam. Essa é a parte realmente difícil de crescer. Você está pronto.

Único defeito: ser narrado em terceira pessoa. Adam tem tanta coisa a dizer, que preferiria que ele mesmo narrasse, que ele mesmo encaixasse seus pensamentos para serem compartilhados. Mesmo o narrador tendo todas as percepções dos personagens, gostaria de ler sob a visão de Adam e Robyn, o que poderia ser muito mais interessante.

Boa leitura!

Nota:



O post original desta resenha foi feito em 07/10/2016 e você pode conferi-lo aqui.
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