Resenha: Claros sinais de loucura

CLAROS_SINAIS_DE_LOUCURA_1396304780PNome: Claros sinais de loucura
Autora: Karen Harrington
Sinopse:
Você nunca conheceu ninguém como Sarah Nelson. Enquanto a maioria dos amigos adora Harry Potter, ela passa o tempo escrevendo cartas para Atticus Finch, o advogado de O sol é para todos. Coleciona palavras-problema em um diário, tem uma planta como melhor amiga e vive tentando achar em si mesma sinais de que está ficando louca. Não é à toa: a mãe tentou afogá-la e ao irmão quando eles tinham apenas dois anos, e desde então mora em uma instituição psiquiátrica. O pai, professor, tornou-se alcoólatra. Fugindo da notoriedade do crime, ele e Sarah já se mudaram de diversas cidades, e a menina jamais se sentiu em casa em nenhuma delas. Com a chegada do verão em que completa doze anos, ela está cada vez mais apreensiva. Sente falta de um pai mais presente e das experiências que não viveu com a mãe, já se acha grande demais para passar as férias na casa dos avós, está preocupada com a árvore genealógica que fará na escola e ansiosa pelo primeiro beijo de língua que ainda não aconteceu. Mas a vida não pode ser só de preocupações, e, entre uma descoberta e outra, Sarah vai perceber que seu verão tem tudo para ser muito mais. Bem como seu futuro.


Oi gente! Tudo bem? Eu estou ótima e louca para falar sobre esse livro!

Ele foi escolhido a esmo, sem pretensão ou expectativa nenhuma, porém, foi uma sacudida das boas. Lembrem-se: podemos aprender muito com as crianças se passarmos a ver o mundo com os olhos delas. Esta é a lição de hoje para mim. E espero que para vocês também.

Começo essa resenha com os seguintes questionamentos: O que você faria se sua mãe tivesse tentado te matar aos dois anos de idade e tivesse ido parar num hospício? E se, além disso, seu pai fosse viciado em álcool? E se você for apenas uma criança?

E então, uma garotinha de doze anos, sonhadora e acreditada na humanidade, vem e te dá um tapa na cara com sua forma de pensar. Sarah, que começa nessa história com onze anos, nos conta, com suas palavras de criança, como é lidar com toda sua vida.

Tudo começa quando sua mãe tenta afoga-la e ao seu irmão gêmeo quando tinham apenas dois anos de idade. Ela sobrevive, ele não. A mãe é condenada e presa por seus atos. Seu pai é julgado por cumplicidade, etc. Após alguns anos, seus pais de divorciam e o pai se afunda na bebedeira, negligenciando a filha que está crescendo sem sua mãe.

Apesar de toda a história triste e as consequências que vieram, Sarah lida com tudo de forma muito perspicaz, tanto quanto possível na sua idade. Para manter a sanidade, ela tem dois diários: o real, em que escreve tudo o que realmente pensa, e o “de mentirinha” para o caso de alguém lê-lo.

O problema de se ter dois diários, é ter que escrever para parecer normal aos olhos do outro. A maior preocupação de Sarah é herdar a loucura de sua mãe. Ela tem fundamentos para achar que isso é possível, e no diário real lista tudo o que pode ser um sinal de loucura.

Sarah e seu pai tentam viver anonimamente da mídia, que mesmo passado dez anos após o incidente, sempre que algum tema relacionado a eles surge, a mídia volta a procura-los. E então eles têm que se mudar. Por isso, Sarah não tem um quarto para chamar de seu e nem a casa tem a cara deles, porque se mudam constantemente.

Na última casa, temos a impressão de que estão há mais tempo, pois Sarah teve tempo de conhecer o casal de idosos que moram ao lado e os dois irmãos (Charlotte e Finn) que moram em frente.

Com a vinda das férias, Sarah teme ter que passar o verão com os avós em outro estado. Ela anseia por coisas novas, por pessoas da sua idade e pessoas que não saibam de seu passado. Ela consegue convencer o pai a deixa-la ficar em casa e assim ele contrata Charlotte para ser sua babá.

Sarah vivencia muitas coisas diferentes das que está acostumada, pois agora está ao redor de pessoas “normais” e um pouco mais velhas do que ela. São nessas férias que Sarah fica menstruada pela primeira vez (e agradece aos céus por estar com Charlotte nesse momento) e se apaixona.

Sarah tem manias que garotas da sua idade não costumam ter, mas que adquiriu por ser tão solitária. Ela conversa com o irmão morto, contando sobre seu dia e pedindo conselhos; ela fica em cima de um toco de árvore observando a vizinhança e tentando imaginar como são e o que estariam fazendo; ela escreve em dois diários; é apaixonada por palavras do tipo problemáticas, como loucura, alcoólatra, etc; é apaixonada por Atticus Finch, personagem do livro “O sol é para todos”; sua melhor amiga é uma planta.

Todas essas “manias” fazem com que Sarah veja o mundo normal que ela espera, e faz com que se sinta menos solitária. Mas com a presença de Charlotte e Finn, ela muda seu comportamento totalmente, se tornando uma garota mais comunicativa e aberta a vida.

Sarah tem atitudes e pensamentos muito além de sua idade, o que me fez perceber que ela foi obrigada a crescer antes da hora. E ela está OK com isso. Até agora.

E por conta de suas atitudes tão maduras, ela mesma dá uma reviravolta em sua vida. Ela escreve para a mãe, para que a mãe a conheça melhor. Ela ainda tenta conhecer a mãe verdadeiramente. Ela influência seu pai a mudar com o um discurso/briga de te emociona profundamente. Até que a vida muda para ela também. E você fica tranquila.

– Existe o pai que você deseja e o pai que você tem. Com sorte, às vezes eles são a mesma pessoa. 
Sarah tem discurso e pensamentos que oscilam entre a infância e a vida adulta. Ela vive com aquilo que a vida te deu até que não suporta mais a mesmice das pessoas e ela mesma parte para mudanças. Ela mesma percebe que ela não precisa ser sozinha mais, e que não tem que fazer o papel de adulto em casa. Eu acho, aliás, tenho certeza, de que ela muda muitas vidas ao longo do tempo.

Boa leitura.
Beijos

Nota:




O post original desta resenha foi feito em 19/01/2016 e você pode conferi-lo aqui.

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