Resenha: O Bosque de faias

Olá pessoal! Tudo bem com vocês?
Esse friozinho acompanhado de chuva combina com o quê? Com leitura, é claro!

E o livro escolhido da vez foi o da nossa parceira querida, Amanda Bonatti. Só amores por esse romance de época lindo. Venham ver. ♥

Título: O bosque de faias
Autora: Amanda Bonatti
Sinopse: Joana é uma jovem francesa criada no seio de uma família pertencente à burguesia do século XIX. Ela luta pelo seu direito de liberdade; no entanto, em uma época em que os pais ditavam as regras e firmavam acordos nupciais unicamente baseados em dotes e interesses, ela precisará usar de toda a sua força e rebeldia para alcançar o que quer.


Pois bem, começo dizendo que são poucos os romances de época com os quais tive contato até hoje na vida, mas que ganhei interesse pelo gênero. 
Viajar ao passado, imaginar uma vida completamente diferente do nosso pequeno caos atual e ao mesmo tempo de sentimentos tão próximos ao nosso, é incrivelmente prazeroso.


Em O bosque de faias somos apresentados a Joana, uma jovem francesa amante da leitura e da liberdade, que sonha com ideais melhores para sua vida, diferentes e mais modernos que os da sociedade da época.

Sua personalidade arredia e determinada, preocupou seus pais ao ponto de forçarem-a a se casar o mais rápido possível com qualquer um que tenha dinheiro o bastante, para evitar que ela se torne mal falada na vila em que vivem e, desprezando assim, os sentimentos da filha sobre o tema. 
Já suas irmãs mais novas, são as típicas sonhadoras da vida, que aceitam a sua realidade de casarem-se pelo interesse dos pais mas anseiam por um amor arrebatador — e, com isso, condenam Joana por pensar diferente e "atrapalhá-las", já que a mais velha deve se casar primeiro.

Sempre que pode, Joana refugia-se em um bosque de faias, para fugir de seus pais e suas irmãs, principalmente Sophie, que tentam forçá-la a se casar de qualquer forma. Lá ela se sente em paz, plena e pode até mesmo se perder em leituras consideradas "inadequadas" para mulheres.

Sua vida começa a mudar quando, através de um mal-entendido, ela conhece Alexandre e seus pais tentam de tudo para que ela se case com ele, acreditando que ele é Phillip — o herdeiro de um falecido riquíssimo da vila —, que dará um baile de máscaras em sua chegada.
Encantado por Joana, Alexandre tenta conquistá-la enquanto busca uma forma de dizer quem ele é de verdade antes do baile acontecer.
— Há muito poderia ter se afastado, no entanto seus pés permanecem fixos e suas mãos já se acostumam às minhas. Posso garantir que elas estão onde mais gostariam de estar, e seus lábios... seus lábios lhe imploram para que diga a verdade, enfim.
— Que verdade? — perguntou com a voz entrecortada, sem conseguir encará-lo assim tão de perto.
— Que me ama, senhorita. — Ele segurou o queixo de Joana e conduziu seu rosto para cima, de modo que ela o olhasse dentro dos olhos. — Case-se comigo. — Ele pediu.
O problema maior da trama é quando o verdadeiro Phillip chega e todos descobrem a mentira de Alexandre da pior forma possível, justamente quando Joana começa a se encantar por ele e é proibida de viver este sentimento. 
Envolta em uma teia de mentiras, Joana buscará a verdade, tentando lidar com a dor de seus sentimentos recém descobertos, enquanto tenta fugir de um compromisso (forçado pelos pais interesseiros) com Phillip. 
Toda aquela felicidade, angústia, vontade de sorrir e também de chorar ao mesmo tempo, só podia significar uma coisa. Já era completamente impossível de negar a si mesma que também o amava de forma muito intensa.
Apesar do frio, o seu coração ficou aquecido.

Narrado em terceira pessoa, com uma trama encantadora e bem descrita, conseguimos imaginar perfeitamente a vida naquela vila, bem como às necessidades e interesses fúteis das garotas da época. Eu, particularmente, penso no quão irritante e insuportável deveria ser viver sendo obrigada a se casar por interesses financeiros e a ser uma boa pessoa "do lar", então me identifico muito com a Joana nesses quesitos. 

Vemos personagens fúteis, mesquinhos, egoístas e interesseiros em todo momento da trama, mas, em contra-parte, existem personagens cativantes e sensatos que nos fazem torcer por eles com tanta ansiedade e fervor que não nos permitem desistir da leitura. 

Meu destaque positivo certamente vai para Rebecca (irmã caçula de Joana) e Patric (irmão caçula de Phillip), que, apesar de novos, são os mais maduros e sensatos. Pessoas do bem e encantadoras, que descobrem uma paixão que vai além de qualquer interesse e futilidade. ♥
— Até mesmo os sentimentos tristes podem ser belos, poéticos. Até mesmo no amor há tristeza. Por isso há tantas obras magníficas com essa temática.

Agora, é difícil escolher um destaque negativo tendo tantos personagens desagradáveis na trama. Permaneço em uma dúvida cruel entre Sophie e Phillip, mas muitos outros nomes poderiam facilmente serem citados. A imaturidade e egoísmo de ambos se sobressai de uma forma assustadora. 
Comentei com a própria autora, inclusive, que Phillip não merecia o final que teve, rsrs.

Senti que faltou desenvolver um pouco melhor o amor entre Alexandre e Joana. Pois, diferente do amor entre Rebecca e Patric que foi bem explorado e desenvolvido — um sentimento crescente de fato —, fiquei com a impressão de que o amor era um sentimento fácil de se alcançar... Como se, de certa forma, fosse simples começar a amar naquela época. O que me convenceu, por fim, foi a determinação de ambos, que tornou tudo muito bonito. 
A determinação de Joana certamente é extasiante e a todo momento ansiamos pela resolução dos problemas que a separam de Alexandre e de viver sua grande e própria história e suspiramos pelos momentos de carinho trocados.

É uma história forte, romântica e sonhadora, com um cenário incrível cheio de significados, que vale cada minuto de tempo dedicado à leitura. E eu sou uma eterna e fiel amante de finais felizes, portanto adorei cada segundo de angústia até o tão esperado "felizes para sempre". ♥
— E então (...) eles foram realmente felizes para sempre, pois constataram que era verdade o que dizia a lenda "tudo o que nela se escreve, jamais se apaga".

Nota:




Espero que tenham apreciado essa resenha e que possam apreciar este livro amável e suspirar e ansiar pela felicidade de Joana, Alexandre e todos os outros que realmente merecem ser felizes. 
Este livro é o primeiro da coleção "Romances de Época" de Amanda Bonatti — lançado pela Editora The Books com uma linda diagramação e capa — e seu segundo volume, Um amor para Johan, foi lançado na Bienal do Livro de São Paulo na última semana e eu logo terei o prazer de lê-lo e resenhar para vocês! 

Até a próxima, boa leitura!
Beijos.
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2 comentários

  1. Que amor de resenha. Eu fiquei aqui suspirando enquanto lia, feliz da vida. Obrigada, May, por este carinho em forma de palavras. Amei demais e superconcordo com tudooo. Beijos grandes

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    1. Fico feliz que tenha gostado da resenha! Como te disse, fui super sincera em tudo que escrevi e realmente adorei seu livro!
      Estou super ansiosa para os próximos! :)

      Beijo!

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